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Caso CBDA: uma visão subjetiva

abril 6, 2017

Sou uma apaixonada pelo esporte. Uma entusiasta, envolvida, e ativa no mundo, pela disciplina, benefícios e espírito que as modalidades esportivas proporcionam.

Eu sou atleta – master, ex-federada, de meia tigela, de fim de semana –, e sempre serei. Eu cresci como nadadora, dei minhas primeiras braçadas com menos de três anos, influenciada por aulinhas aquáticas do irmão mais velho. Cresci pulando em piscinas, tendo cabelo desgrenhado de touca, pele com odor ininterrupto de cloro, desembaçando óculos, chorando de emoção ou tristeza a cada conquista, medalha, ou derrota.

Formei-me jornalista rejeitando trabalhar na área do esporte, acreditando que os chamados esportes “amadores”, “olímpicos”, ou até “outros esportes” eram relegados (como os próprios nomes de editorias de vários veículos demonstram). Não queria mergulhar no futebol, por não concordar com a visão limitada e fechada a que o jornalismo esportivo se sujeita (fomentado pelo interesse monoesportivo do público consumidor).

Mas a vida, naturalmente uma tiradora de sarro e pregadora de peças, me jogou no mundo do jornalismo esportivo. Me apaixonei. Me envolvi. Descobri uma vocação e uma paixão que não achei que pudesse ter. E ela fraquejou, como é natural: repensei a profissão, a área, as pessoas, o público, por muitas vezes machista, misógino e violento.

E voltei a mergulhar nas piscinas. A me provar diariamente. Surgiram as primeiras coberturas na área que tanto amava, que conhecia desde pirralha.

Eu vim da natação do interior. Dos torneios muito bem organizados pelas Associações de Pais e Mestres que proporcionavam lindas rivalidades locais. Fui para a capital da natação no Brasil, recheada de competições, dos principais clubes, dos grandes nomes da natação brasileira. Cheguei à capital com brilho nos olhos de ver Gustavo Borges, o ídolo, na raia ao lado. Dividi prédio com Cesar Cielo, então um jovem com claro talento e que apenas tentava, na época, ser um dos grandes do mundo no esporte, assim como eu aspirava.

Recebi cartinhas do senhor Coaracy Nunes, com convocações para competições, seleções regionais, reconhecimento de marcas. Ouço desde que me recordo que ele está lá, eterno, à frente da CBDA, sendo eleito e reeleito e eleito outra vez, por aclamação, na falta de concorrentes. Magicamente, as chapas de oposição eram impugnadas. Sempre havia uma brecha para tirar quem está no caminho. Troca de olhares nos vestiários, e o silêncio. A atleta que, do seu jeito boca no trombone e eu-rodo-a-baiana-mesmo, era tachada de louca, chata, revoltadinha, problemática, porque queria entender como as coisas funcionavam. Silêncio.

Conheci boas pessoas, ouvi infindáveis elogios a Ricardo de Moura, o diretor técnico da natação e que, com muito conhecimento, impulsionou a modalidade enquanto pôde. Carregou a CBDA nas costas enquanto Coaracy claramente estava debilitado, fosse pela idade, fosse pela saúde.

Vi as competições minguarem. A Associação de Pais e Mestres de Nadadores do interior sumir. Vi pouquíssima procura e interesse de crianças na natação, ou quase nenhum acesso à modalidade. Vi a Bahia, gigante estado nacional, berço de inúmeros atletas proeminentes, de Eduardo Bala Valério, medalhista olímpico, até Ana Marcela Cunha, multicampeã mundial, Allan do Carmo, e tantos outros, não ter uma piscina olímpica em funcionamento.

Eu vivi, como nadadora, competições grandes do país espalhadas por todo o território nacional. Nordeste, Sul, Sudeste, Centro-Oeste… E vi mais tarde, como jornalista, os principais torneios concentrados em Rio-São Paulo, porque as outras piscinas do Brasil não podiam mais receber grandes eventos. Eu vi o esporte definhar.

castelinho

Vi a evolução técnica dos atletas de ponta: cada vez seleções mais numerosas e mais gente fazendo índice! Brasil sendo medalhista mundial com alguma frequência, o país liderando quadro de medalhas no Mundial de Piscina Curta em Doha… Mas não tínhamos mais jovens nas piscinas. Os Brasileiros de Inverno, do segundo semestre, da maioria das categorias, acabando por falta de verba.

“Suspeita de 40 milhões de reais desviados da CBDA”.

“Falta de verba para enviar delegação a Mundiais” de alguns esportes de sua alçada.

Vi o cerco apertar. Denúncias aparecerem. Vi novamente o silêncio – o medo, o “é melhor não mexer com isso pra não sujar as mãos e depois pagar o pato”. Ouvi o retumbante silêncio e a conivência. Vi o diretor técnico ter problemas pessoais pesados por conta das investigações. Acreditei nele.

Ainda não sei se errei em acreditar – às vezes você é a pessoa no lugar errado, na hora errada. Às vezes você é a pessoa certa, mas conivente.

Às vezes você é só um apaixonado, entusiasta do esporte, que espera o pesadelo passar, e torce – e luta! – pra tudo pro eixo retornar.

Phelps, o retorno

abril 28, 2014

Ele quer apenas se divertir. Dito, repetido, e falado mais uma vez, caso alguém tenha ficado na dúvida.

Michael Phelps, enfim, voltou. A nadar, a competir, e a conquistar marcas impressionantes (levando em consideração a sua “desaposentadoria”). Muitas vezes já escrevi sobre nadadores que penduram sungas e maiôs, o peso da decisão, a dificuldade em lidar com a rotina sem acordar assim tão cedo, sem as privações, sem a alimentação controlada, sem as obrigações. Ah, as obrigações. Elas fizeram com que Phelps se cansasse de sua rotina. Foram anos (sim, no plural) sem um, unzinho só, dia de descanso da piscina. Treinou sem parar pela maior parte da sua vida. Um sacrifício que o tornou talvez o maior atleta de todos os tempos, mas suficiente para assassinar o tesão dentro de qualquer pessoa.

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E o que Phelps mais quer, e mais repete para si e para quem estiver ouvindo, é… apenas se divertir. Nada com colegas dos quais gosta, com seu treinador de hoje, ontem e sempre, e nada provas, digamos… divertidas.

No Grand Prix de Mesa, no Arizona (circuito americano de competições), na última semana, Phelps voltou a cair na piscina sob um comando de saída oficial. Disputou os 100m borboleta ao lado de Ryan Lochte – e perdeu. Saiu da piscina sorrindo, com a marca de 52”13, o quinto melhor tempo do mundo no ano. Na entrevista após a prova, se limitou a dar risada e dizer o quanto aquilo tinha sido divertido. Para surpresa ainda maior, se arriscou na prova que mais pareceu transformá-lo em um nadador de categoria master de luxo: nadou os 50m borboleta (na prova dos 50m livre). Fez 24”06, em toda a ausência de velocidade que lhe é característica, e aparece agora com o 25º tempo do ano.

Foram 20 meses de afastamento, e outra certeza: a princípio, não há tanto dinheiro envolvido em seu retorno quanto se poderia esperar. Ele nadou sem nenhum patrocínio de trajes de competições, já que seu contrato com a Speedo acabou no final do ano passado, e ele não renovou. Nadou com um maiô Arena, porém com a marca borrada para que não fosse vista.

Para Phelps, foi tudo o mais tranquilo e normal possível. Para o público, um fenômeno que ele, e apenas ele pode explicar: ingressos esgotados a oito dias do início da competição. Na natação? Isso só seria possível com Michael na piscina, é claro.

O nadador deve voltar a competir no GP de Charlotte na próxima quinzena de maio, em vista do USA Nationals, seletiva norte-americana que acontecerá em agosto, na Califórnia, para definir a seleção americana que disputará a sequência internacional do Pan Pacífico e o Mundial de Curta ainda neste ano, e o Pan Americano, Universíades e Mundial de Kazan, em 2015.

A hora é agora. Se Michael Phelps “passar” no teste, estará a pequenos passos do Rio de Janeiro. Mas, como disse sua sorridente genitora das arquibancadas, ele tem que fazer o que ele achar melhor. Sábia decisão, dona Phelps.

Maria Lenk: um resumão

abril 28, 2014

Não me lembro de uma semana tão interessante para a natação brasileira quanto a última que se passou em São Paulo. Foram 14 anos para que o complexo esportivo do Ibirapuera recebesse outra vez o principal torneio de natação do país, em uma piscina que está um brinco, em excelentes condições (em especial para quem lembrava dos azulejos quebrados e cobertos de musgo que receberam outros torneios nesse ínterim). Sem deixar de mencionar o problema dos blocos, genericamente lamentáveis por uma economia de algumas dezenas de milhares de reais.

Mas, à piscina: foi um punhado de bons resultados por parte dos brasileiros, um arraso, como previsto, das estrangeiras, e uma nota bacana de otimismo com a nova geração.

Vamos a eles:

– Katinka Basílio Hosszu e o título corintiano

Katinka ao lado do marido mostra medalhas e troféu eficiência

Katinka ao lado do marido mostra medalhas e troféu eficiência

Desde 1966 o Corinthians não vencia o Troféu Maria Lenk. Foram 48 anos de espera, e um torneio que definitivamente nunca contou com a tradição do clube paulista, que até então era tricampeão em uma geração há muito passada. Com as ajudas de Katinka Hosszu, húngara que está entre as três melhores do mundo no momento, e da dinamarquesa Jeanette Ottensen, ficou até fácil. Isso sem contar Leonardo de Deus, que segue sendo extremamente eficiente, e Felipe França, que vem positivamente mostrando que está em forma outra vez.

Sobre a discussão de ser ou não um título “merecido”, já que teve 1/3 de seus pontos conquistados graças aos recordes e força no revezamento das estrangeiras, escrevi longamente no Blog Esporte Fino, explicando a minha opinião: o quanto é válido, relevante e importante contar, sim, com estrangeiros para fortalecerem nossas disputas nacionais.

Grupo campeão do Corinthians

Grupo campeão do Corinthians

Katinka venceu todas as provas que disputou, foi a nadadora mais eficiente (420 pontos conquistados, contra 160 do melhor nadador do masculino, Leo de Deus). Já Jeanette a melhor em marcas: obteve quatro dos cinco melhores índices técnicos da competição. Sua melhor marca, nos 50m borboleta, com 25”41 (índice 996), teve índice melhor que o incrível 50m livre de Cesar Cielo (984 nos 21”39)

Cielo 1×2 Fratus

Cielo e Fratus (Satiro Sodré/CBDA)

Cielo e Fratus (Foto de Satiro Sodré/CBDA)

O importante duelo brasileiro da velocidade mundial ganhou mais um capítulo, com tudo voltando ao normal na cabeça de Cesar Cielo. Porque a dificuldade de se manter no topo o tricampeão mundial já conhece muito bem. Ele havia perdido (e se irritado bastante com isso) de Bruno Fratus em seus dois últimos encontros, após a cirurgia no ombro do segundo. No Maria Lenk, a disputa foi braçada a braçada até a batida na parede: que registraram as duas melhores marcas do mundo neste ano na prova dos 50m livre. 21”39 para Cielo, 21”45 – e melhor tempo da vida – para Fratus. Uma prova que tirou o fôlego da plateia no Ibirapuera, e que mostra que a velocidade comanda a nossa natação. E, que bom, ao menos em uma prova olímpica.

Cielo, que estava preocupado com as não planejadas mudanças de clube e técnico neste ano, havia dito que sequer deveria nadar o Pan Pacífico (principal competição internacional do ano). Nada mais que preocupação com seu próprio desempenho diante da turbulenta temporada. Mas o tempo que o fez sair sorrindo da prova (“viu só? Essa aí foi só na raça!”) definitivamente deve fazê-lo mudar de ideia. E reformular seus planos: veremos o paulista outra vez nos Estados Unidos no segundo semestre. Treinar no Minas TC, sua nova equipe, efetivamente, não é parte dos planos de Cesão.

– 4×100 livre e uma esperança

Em mais uma sagaz análise do Coah Pussieldi em seu blog no globoesporte.com, ele levantou os melhores tempos do ano dos brasileiros que nadam a prova dos 100m livre, em comparação com os adversários estrangeiros que já disputaram suas seletivas para o Pan Pacífico (Estados Unidos não está incluso). E o prognóstico é positivo: temos hoje, em marcas individuais, o segundo melhor revezamento 4×100 livre do mundo.

A Austrália hoje teria o melhor desempenho, com dois tempos abaixo de 48” (James Magnussen e Cameron McEvoy), um 48” de Tommaso D’orsogna e um 49” cravado de Keneth To (total 3’12”96). Em segundo o Brasil, que tem 48”13 de Cesar Cielo, 48”61 do junior Matheus Santana, 48”67 de João de Lucca e 48”72 de Marcelo Chiereghini (total 3’14”13). Por fim, os tradicionais franceses, com dois tempos abaixo de 49”, de Florent Manaudou e Mehdy Metella, e dois 49” baixos, de Fabien Gillot e Gregory Mallet (total 3’15”48).

No ranking mundial deste ano, Cielo tem o terceiro melhor tempo do mundo, Matheus tem o sétimo, com João de Lucca logo atrás, e Chiereghini em 11º.

Quem não se lembra da emocionante medalha arrancada por Edvaldo Bala Valério em Sidney em 2000?

– Thiago Pereira: ainda está pouco

Em resultados práticos, medalhas, ele continua reinando no Brasil. Ganhou medalhas em todas as provas que disputou, conseguiu seus índices para o Pan Pacífico, e não consegue se livrar da prova dos 400 medley, tamanha sua superioridade no cenário nacional, e destaque no internacional. Fez o quinto tempo do mundo nos 200 medley (1’57”98) no ano, mas ainda foi pouco. Thiago não conseguiu fazer uma marca tão expressiva nos 100m borboleta e foi surpreendido nos 100m costas por um jovem que também se surpreendeu com seu resultado. Fabio Santi acabou sagrando-se campeão.

Felipe França e o minuto superado

Enfim! Felipe França voltou a nadar abaixo da casa do minuto nos 100m peito – prova em que o Brasil tem destaque internacional, e na qual conquistou o bronze no Mundial do ano passado, com Felipe Lima. França, que se mudou com seu técnico para o Corinthians nesta temporada, nadou para 59”91, quinto tempo do mundo neste ano, e assegurou sua vaga para o Pan Pacífico.

Matheus Santana, guarde este nome

Matheus Santana

Matheus Santana

Que prova, que resultado! Nascido em 1996 (não canso de me surpreender), Matheus Santanas treina na Unisanta com Marcio Latuf, e conseguiu a expressiva marca mundial. Ok, os recordes mundiais da categoria júnior só passaram a existir há pouco tempo, como me lembra o colega Ivo Felipe. Mas hoje não há nadador da idade de Matheus que o supere nos 100m livre, com 48”61. Ele passou até mesmo o norte-americano Caeleb Dressel, até então dono da marca.

Mais um bom aspecto do resultado? Não é uma prova de velocidade per se, e é nada menos que o sétimo tempo do mundo em 2014.

– Nova geração

Giovanna Diamante engrossa uma geração que disputou o Mundial Júnior em Dubai no ano passado, e conquistou suas primeiras medalhas de campeonato absoluto nesta edição. Nas provas dos 100m e 200 borboleta. Faz parte da forte equipe feminina comandada por Fernando Vanzella no Sesi-SP. Natália de Luccas, que surpreendeu ao bater o recorde sul-americano nos 200m costas ano passado acabou deixando a desejar, e aumentou em seis segundos seu tempo da prova no Maria Lenk. Mas continua sendo a segunda maior força do nado de costas feminino no Brasil, atrás de Etiene Medeiros. No feminino, Larissa Oliveira, que venceu os 200m livre, também entra neste grupo. Thiago Simon é nadador de medley, mas apareceu com enorme destaque na prova dos 200m peito, medalhista com 2’11”99. Isso sem mencionar Miguel Leite Valente, que arrasou nas provas de fundo (embora os fundistas brasileiros ainda estejam anos luz atrás de qualquer nível internacional).

– Maratona experimental (e um tanto quanto suja)

Pela primeira vez, e de forma experimental, o Troféu Maria Lenk teve prova de maratona: 5km, na (suja) raia olímpica da USP. Mas a necessidade de se inserir provas de águas abertas, das quais o Brasil só é o melhor representante mundial, era urgente.

Luiz Rogério Arapiraca venceu a prova masculina, com 58’02”05 (e acabou passando mal na chegada. Nada sério!), e Poliana Okimoto – que surpresa! – venceu a prova feminina, com 58’38”80, em sétimo lugar geral.

– Longe, muito longe

Nas provas de fundo, as marcas brasileiras são risíveis em comparação com o exterior. Na maioria das provas de 200 ou 400 os brasileiros também sequer se aproximam do índice pro Pan Pacífico, que muitas vezes é mais forte até que o próprio recorde sul-americano. Nos 200m peito, por exemplo, a argentina Julia Sebastian, do Unisanta, venceu pela terceira vez, completando quatro anos que uma brasileira não vence a prova e não nada abaixo dos 2’30”.

Para fechar nos pontos negativos, a natação carioca vai de mal a pior. Com poucos representantes (17 nadadores para três clubes), Flamengo, Fluminense e Botafogo mal foram percebidos entre o domínio dos clubes paulistas, mineiros e gaúchos. O Flamengo levou a menor delegação da história para o Ibirapuera, com apenas dois (!!) nadadores.

O número de participantes no Maria Lenk caiu pelo quarto ano consecutivo. Mas, já diria o presidente da confederação, seu Coaracy Nunes, “isso é impressão sua, menina. Na sua época parecia que tinha mais gente, mas continua tendo muita gente nadando, e em alto nível no Brasil!”. Tá ok, seu presidente. Estamos vendo, mesmo.

– Índices Pan Pacífico

Para fechar, abaixo está a relação de todos os índices atingidos para disputar o principal campeonato internacional do ano. Na lista final de atletas, são seis mulheres e vinte homens na seleção brasileira.

Feminino
Daynara de Paula – 50m borboleta  – 26s57 (Open) – índice 26s83
Daynara de Paula – 100m borboleta – 58s35 (Open) – índice 58s89
Ana Carla Carvalho – 50m peito – 31s87 (Maria Lenk) – índice 32s00
Beatriz Travalon – 50m peito – 31s98 (Daltely) – índice 32s00
Etiene Medeiros – 50m costas – 28s11  (Open) – índice 28s84
Etiene Medeiros –  100m costas – 1m00s77 (Maria Lenk) –  índice 1m01s39
Graciele Hermann – 50m livre – 24s79 (Maria Lenk) – índice 25s34
Alessandra Marchioro – 50m livre – 25s17 (Maria Lenk) – índice 25s34

Masculino
Cesar Cielo – 50m livre – 21s39 (Maria Lenk)) – índice 22s33
Bruno Fratus – 50m livre – 21s45 (Maria Lenk)– índice 22s33
Alan Vitória – 50m livre – 22s25 (Open) – índice 22s33
Cesar Cielo – 100m livre – 48s13 (Maria Lenk) – índice 48s93
Matheus Santana – 100m livre – 48s61 (Maria Lenk) – índice 48s93
João de Lucca – 100m livre – 48s67 (Maria Lenk) – índice 48s93
Marcelo Chierighini – 100m livre – 48s72 (Maria Lenk) – índice 48s93
Matheus Santana – 100m livre – 48s85 (Maria Lenk) – índice 48s93
Nicholas Santos – 50m livre – 22s32 (Daltely) – índice 22s33
Nicolas Oliveira – 200m livre – 1m47s17 (Maria Lenk) – índice 1m48s42
João de Luccas – 200m livre – 1m48s30 (Maria Lenk) – índice 1m48s42
Nicholas Santos – 50m borboleta  – 22s95 (Open) – índice 23s96
Cesar Cielo – 50m borboleta  – 23s01 (Maria Lenk) – índice 23s96
Marcelo Chierighini – 50m borboleta – 23s85 (Maria Lenk) – índice 23s96
Felipe Martins – 50m borboleta – 23s89 (Maria Lenk) – índice 23s96
Thiago Pereira – 100m borboleta – 52s37 (Maria Lenk) – índice 52s57
Leo de Deus – 200m borboleta – 1m56s21 (Maria Lenk) – índice 1m57s03
Guilherme Guido – 50m costas – 24s95 (Daltely) – índice 25s43
Daniel Orzechowski – 50m costas – 25s40 (Open) – índice 25s43
Fabio Santi – 50m costas – 25s43 (Open) – índice 25s43
Fabio Santi – 100m costas – 54s32 (Maria Lenk) – índice 54s43
Leo de Deus – 200m costas – 1m57s81 (Daltely) – índice 1m58s48
Felipe França – 50m peito – 27s03 (Open) – índice 28s00
João Gomes Junior – 50m peito –27s40  (Open) – índice 28s00
Felipe Lima – 50m peito – 27s65 (Maria Lenk) – índice 28s00
Raphael Oliveira – 50m peito – 27s74 (Maria Lenk) – índice 28s00
Felipe França – 100m peito – 59s91 (Maria Lenk) – índice 1m00s86
João Gomes – 100m peito – 1m00s40 (Maria Lenk) – índice 1m00s86
Raphael Rodrigues – 100m peito – 1m00s64 (Maria Lenk) – índice 1m00s86
Tales Cerdeira – 200m peito – 2m11s16 (Open) – índice 2m12s78
Thiago Simon – 200m peito – 2m11s99 (Maria Lenk) – índice 2m12s78
Thiago Pereira – 200m medley – 1m57s98 (Maria Lenk) – índice 1m59s99
Thiago Pereira – 400m medley – 4m15s45 (Maria Lenk) – índice 4m18s99
Thiago Simon – 400m medley – 4m17s98 (Maria Lenk) – índice 4m18s99

Vai fundo, o doping é livre

fevereiro 24, 2014
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Um artigo – na verdade um editorial – da Swim Vortex publicado na última semana dá um tapa na cara da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e sua forma controversa de lidar com casos de doping na natação no país. Em um caso específico, do garoto de 13 anos que foi pego no exame pelo uso da substância Methylhexanamine no mês passado.

Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, a identidade do atleta teria que ser preservada, uma orientação da legislação daqui e que também estará nas regras de casos de doping da WADA, a Agência Mundial Antidoping. Mas, na WADA, o artigo só será validado a partir de 2015.

Porém, até agora, nada mais concreto foi determinado pela CBDA. Se o nadador foi medalhista do Campeonato Brasileiro Infantil de Verão, Troféu Maurício Bekenn, no qual foi examinado, seu resultado continua validado, assim como qualquer recorde que ele possa ter conquistado. Ele foi suspenso por quatro meses como punição há cinco semanas, e a dúvida sobre os procedimentos do seu retorno continua no ar.

No lado oposto, quando o atleta do Quirguistão Vladislav Shuliko, dos mesmos 13 anos, foi pego no exame pela mesma substância (sina da natação), no final do ano passado, ele foi banido por um ano e seu nome foi divulgado aos quatro ventos, por toda a imprensa mundial.

O caso do brasileiro preserva a identidade de um menor pelo simples delito de ter consumido uma substância proibida (desde 2010) pela WADA. É um estimulante que reduz a fadiga, e que pode ser encontrado inclusive em descongestionantes nasais, suplementos de emagrecimento, assim como energéticos. A grande dúvida é: de quem é a culpa? Do atleta, que ingeriu a substância conscientemente por vontade própria? Inconscientemente? Ou foi fornecida por um responsável legal? Talvez pelo seu treinador, ou um colega de treino? A investigação ficou parada após sua suspensão, os procedimentos posteriores também. Mas, principalmente, a conscientização do problema.

Agora, vamos à hipótese: e se um menor de idade conquista uma medalha nos Jogos Olímpicos do Rio, é pego no exame antidoping, e precisa devolvê-la, sem que ninguém possa pronunciar seu nome? Não que a questão seja a revelação do nome do atleta de 13 anos, mas a problemática que envolvem certas regras e falta de tato da CBDA para lidar com os seus próprios casos de doping.

Se a imagem do Brasil já está arranhada com os 24 casos (contabilização do Blog do Coach) de doping da história da natação, com ocorrências constantes há 11 anos consecutivos, a forma das autoridades responsáveis de lidar e “acobertar” não fará com que a cultura mude. No mesmo artigo da Swim Vortex a crítica é dura: o sistema brasileiro permite e estimula a cultura do doping envolvida em uma bolha que, a longo prazo, irá estourar. O “risco-benefício” vale a pena para os atletas (ou treinadores, ou quem quer que forneça as substâncias ou que venda a ideia de seu uso).

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O simples fato de o exame antidoping precisar ser realizado em um Campeonato Infantil (13-14 anos) de Natação já grita por si só. Quando foi que surgiu a necessidade urgente de injetar todo tipo de suplemento na alimentação e formação de atletas que mal iniciaram a sua evolução física da puberdade? Em uma idade em que uma alimentação correta e um trabalho de reforço físico e muscular resolveriam?

Em um relato de uma mãe de atleta que disputou a competição e foi chamado para o exame, ela, como responsável, acompanhou a coleta e foi questionada pela médica sobre a lista de suplementação do nadador. Ao responder que ele não tomava nada além de água durante os treinos, e que se alimentava antes e depois com frutas, legumes, proteína e carboidratos de qualquer cardápio comum, a médica se surpreendeu. “Ele deve ser o único. Você não tem ideia do que esses meninos tomam”, disse ela, em tom de brincadeira. O filho havia acabado de subir ao pódio em todas as provas que nadou na competição (a mesma em que o atleta de nome não revelado acabou testando positivo).

Vem cá, pode tomar isso aqui. Tá tudo bem. O doping é livre.

Fratus 2×0 Cielo:

fevereiro 17, 2014

Ok, o título do post é um pouco injusto. Cesar Cielo já bateu Bruno Fratus algumas várias vezes. Mas comecemos a contagem a partir do reencontro dos velocistas brasileiros após as recuperações de ambos: Cielo de joelhos novos e já testados e consolidados depois de sua dupla cirurgia; e Fratus após uma longa, porém eficaz recuperação da operação em seu ombro.

 

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Ao final do ano passado, no Open de Porto Alegre, último campeonato da temporada, Cielo tinha um tempo memorizado para os 50m livre, e estava tão determinado como sempre a fazer essa marca, e melhorar seu tempo em Barcelona (21″32). Ele acabou nadando para 21″92, e, não só não fez o tempo esperado, como perdeu para Bruno Fratus (24 anos), que nadou dez centésimos mais rápido. Na ocasião Cielo desistiu do restante da competição, e saiu de Porto Alegre frustrado com seu resultado.

Enquanto alguns competidores internacionais já tinham aberto a temporada de competições, como a incansável Dama de Ferro Katinka Hosszu, ou diversos brasileiros que foram disputar o BHP Billiton Aquatic Super Series na Austrália, neste fim de semana Cielo fez o seu primeiro teste de 2014.

O Grand Prix de Orlando reuniu algumas personalidades da natação mundial, e o grande duelo foi o dos 50m livre. O reencontro. A revanche?

 

 

É… terceira melhor marca do ano na prova, 22″00, para Bruno Fratus. 22″15 para Cesão.

Fratus, que se destacou nadando pelo EC Pinheiros, hoje treina nos Estados Unidos, em Auburn, com Brett Hawke, técnico que comandou Cielo ao primeiro ouro olímpico da natação brasileira em 2008. Vem coisa muito boa por aí.

Cesar, porém, deu a volta por cima de forma bastante positiva em uma prova quase que inesperada. Ele já vinha declarando que deve voltar a nadar os 100m livre, pelo menos para nadar o revezamento olímpico em 2016. Embora garanta que o treino para a metragem mais longa não seja muito diferente do treino de velocidade, a verdade é que a resistência é, sim, bastante diferente. Mas Cielo venceu os 100m no GP (não é a competição mais forte de nível mundial para se fazer uma comparação, mas é um torneio prestigiado, e uma marca interessante) com 49″28, recorde do campeonato. Para início de temporada, é um tempo considerável. Foi a primeira vez que ele nadou a prova da qual detém o recorde mundial desde aquela final olímpica de 2012, em que terminou em sexto.

Ainda bastante distante, porém, de James Magnussen, que tem hoje 47″59, líder do ranking mundial em 2014.

Felipe Lima, com o segundo lugar nos 100m peito, fechou a campanha brasileira no GP com dois ouros e duas pratas.

*CURTINHAS*

– A brasileira Fernanda Delgado, que ficou fora do Brasileiro Juvenil e do Open do ano passado por uma lesão nas costas, nadou bem. Chegou à final nos 50m livre (26″02, em sétimo) e fez o seu melhor nos 100m livre (57″63).

– Thiago Sickert também chegou às finais dos 100m livre e 100m borboleta, com suas melhores marcas pessoais em temporada.

– Mais um brasileiro, Luiz Pedro Pereira veio da África do Sul, onde está treinando com Chad Le Clos, com o técnico Graham Hill, e fez o seu melhor de 2014 nos 200m borboleta (6ºlugar, 2’04″84)

(Foto: Tim Binning/ TheSwimPictures.com)

(Foto: Tim Binning/ TheSwimPictures.com)

– Ryan Lochte tinha grande expectativa em seu retorno às competições no GP de Orlando, mas questões climáticas impediram que ele conseguisse chegar para os dois primeiros dias da competição. Acabou disputando apenas um dia, e terminou em segundo nos 200m costas, um resultado relativamente bom para o teste em seu joelho operado. Ele acabou em sétimo nos 100m livre. Ele não competia desde o Mundial de Barcelona, no meio de 2013, e passou por várias turbulências, entre troca de técnico, eventos sociais em abundância e um acidente bizarro com uma fã, do qual saiu lesionado.

A ‘Dama de Ferro’ aumenta sua coleção

fevereiro 17, 2014

Reproduzo aqui o texto que escrevi para o Blog Esporte Fino na última semana, sobre a Dama de Ferro, a incansável máquina de provas – todas as provas – da natação, atualizando os seus impressionantes resultados deste fim de semana, com sete medalhas em Orlando, EUA.

Na natação, a definição dos atletas é bastante simples: um velocista nada provas curtas; o meio-fundista trabalha com a margem de provas intermediárias; e o fundista arranca alguns bocejos dos mais impacientes nas provas mais longas e cansativas. Em alguns casos, há os talentosos e polivalentes nadadores de medley, que geralmente agregam boa técnica em todos os quatro estilos. E, por fim, há Katinka Hosszu.

Katinka-Hosszu

A nadadora húngara, apelidada de “Dama de Ferro”, traz na mochila duas coroas de Rainha do Mar, após vencer com os pés nas costas o circuito de Copas do Mundo de 2012 e 2013. Sem sequer resquício de chance para as adversárias. E graças à sua assustadora polivalência – e coragem.

Katinka nada dos 50m peito aos 800m livre com a naturalidade que Cesar Cielo mata a dobradinha de 50m livre e borboleta. Não bastasse isso, a húngara recheia suas competições com provas de borboleta e costas (em todas as metragens – 50m, 100m e 200m), livre, e, claro, medley.

A nadadora se tornou famosa em 2012, ao conquistar nada menos que 53 medalhas nas oito etapas da Copa do Mundo, um número que saltou para 58 na temporada seguinte (32 de ouro, 12 de prata e 11 de bronze). Pode-se adicionar na conta também seis recordes mundiais batidos. Sua pontuação geral final foi de 840 pontos, mais do que a soma das três concorrentes mais próximas. Mas, para tornar seu desempenho ainda mais impressionante, somente em provas do circuito, Katinka nadou 29.050 metros no total, e acumulou 365 mil dólares em premiações.

Não, não é normal uma atleta resistir a tantas provas, em uma sequência tão absurda e incansável de campeonatos. Mal passou pelas festas de fim de ano, e Katinka quis começar 2014 com a mesma empolgação e ritmo de sempre. Após pouco mais de 40 dias do início do ano, a húngara já disputou três eventos em 2014: Flanders Cup na Bélgica, Meeting de Nice na França e Euromeet em Luxemburgo. E em todos resolveu nadar quase todas as provas em disputa. Se os resultados em tempo não foram tão expressivos, novamente a ânsia de Katinka de bater marcas falou mais alto.

Na Euromeet, a nadadora disputou todas as 16 provas da competição, se classificando para finais em questão. Levou 11 medalhas (oito de ouro e três de prata), bateu oito recordes de campeonato e fechou o torneio com 5.200 metros percorridos na piscina. Em três dias.

Uma vida assaz intensa, e de altíssima manutenção. O que não é impedimento ou problema algum para o companheiro de Katinka, o técnico Shane Tusup. O casal oficializou o matrimônio no ano passado, de forma peculiar: nadando. Durante a lua de mel na África, a atleta completou 31km nadados em treinamentos, todos comandados pelo marido.

Em 2013, Katinka foi a atleta que mais provas individuais nadou no Mundial de Barcelona, com seis disputas. Bateu recordes mundiais e foi ouro nos 200m em 400m medley. Mas seu grande sonho é um pouco mais distante. A medalha olímpica está nos planos da nadadora, que bateu na trave em Londres.

O quilométrico percurso para a glória no Rio de Janeiro seguiu seu rumo nesta semana. O casal húngaro passou pelos Estados Unidos, para a disputa do Grand Prix de Orlando. O quarto passo em 2014 de uma nadadora que promoveu toda uma categoria à parte na natação mundial.

E seguiu impressionando: ela levou quatro ouros e três medalhas de prata, com direito a recordes de campeonato. Venceu os 200m e os 400m medley, 200m borbo,  200m livre (com o 4º melhor tempo do mundo em 2014), terminando em segunda nos 100m e 200m costas e nos 400m.

Trifão, pra quê te quero

fevereiro 13, 2014

– Ô Maiara, vai ter a Copa Trifon Ivanov de novo. Você vai estar mesmo viajando dia 8 de fevereiro?
– Acho que não, menino Portes.
– Quer ser capitã de um dos times femininos?
– VAI TER TIME FEMININO ESSE ANO?? *-*

Algumas semanas depois ocorria a divulgação pelas inscrições, e o sorteio. Ao meu lado, entre os outros oito nomes, a fiel escudeira sorteada. E outras tantas desconhecidas.

“Pessoal, sou a capitã de vocês! Bora dar risada, se divertir, e disputar uma Copa aí?”.

Mal sabia eu o que uma tal de Copa aí iria me agregar.

Dos 170 participantes da Trifon Ivanov, acho que conhecia, sei lá, metade. E 80% do meu time era uma grande incógnita. Rolou uma combinação, e um futebol pré-competição. Em três sessões, desistências no meio do caminho, brincadeiras, piadas, e até troca de emails com estratégias de jogo e plano tático (obrigada, Carol, pelo desenho de campinho e tudo!).

Um grupo de whatsapp, e as mais sagazes piadas.

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Uma rivalidade espetacular, acesa às vésperas, criada para dar um clima ao evento. Clima esse nosso, só nosso. Com faixas e camisetas. Afinal, a zuera, essa danada, não tem limites.

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A primeira preleção de uma decisão, as veias saltando na têmpora e no pescoço. “Vocês querem a prata?? VOCÊS QUEREM A PRATA??” (obrigada pela inspiração, seu Morten).

Uma goleira que superou seus problemas e, sim, apareceu no dia certo! Que lutou até de joelho deslocado, teimosamente, querendo permanecer debaixo das traves e impedir que a prata viesse.

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Na bacia das almas, uma zagueira alma-gêmea de guerreira. Parceira de AQUI NÃO!

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No meio, uma de linha-goleira, elogiada pelas rivais, marcadora de alguém três vezes o seu tamanho, coragem e galhofa, amizade e lealdade. Defesa de bunda.

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Pelas alas, a dupla da habilidade, e os verdadeiros talentos do Chivas. Os gols, os passes, a frieza nas decisões.

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Na centroavância, a nossa nórdica companheira fazedora-de-gols.

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Prontas para o combate dos combates, duas suplentes que sofreram, roeram unhas, e bateram no peito pedindo passagem quando tudo parecia perdido (e, ok, estava mesmo, fazer o quê?).

 

Foram três vitórias na fase de grupos, e uma derrota por atropelo na final. E um abraço sincero ao apito final. E valeu.

Sabe por que valeu? Porque o grupo de whatsapp continua. As piadas, as fotos, a matéria no Globo Esporte, tudo continua. O elo que nasceu, e permaneceu.

É, eu cheguei na Trifon conhecendo metade das pessoas.

E saí com a certeza de que conheci todos os que mais precisava.

Obrigada, Chivas Jabalaquara, #melhortime!

Obrigada, organizadores da Copa de futebol amador mais carismática de todos os tempos (e das redes sociais)!

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